O começo de Malu
Maria Luíza Benitez iniciou sua carreira em 1969 em Bagé, cidade localizada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Neste último ano
da década de 60, Malu – como é conhecida – recebeu um convite para ler suas crônicas na Rádio Cultura. Após trabalhar informalmente por
um ano, foi contratada já como apresentadora de dois programas. Ainda em Bagé, a radialista trabalhou na Rádio Difusora e na Rádio Clube,
tendo sido também locutora de programas de auditório.
A mudança para Porto Alegre
Em dezembro de 76, Malu optou por deixar a Campanha e tentar conseguir um emprego na Rádio Gaúcha, em Porto Alegre. No dia do teste,
Malu conta que teve que elaborar um programa dirigido ao público feminino. Foi então que nasceu "A hora e a vez da mulher". Aprovado, o
programa entrou no ar no ano seguinte com diversas vozes femininas, uma inovação para os conservadores padrões daquela época.
A carreira na Guaíba
Após três meses trabalhando na Gaúcha e na Princesa, Maria Luíza conquistou o espaço naquela que era a “rádio dos seus sonhos”: a
Guaíba. A oportunidade que Malu sempre quis surgiu por acaso: a freqüência da Guaíba era próxima à da Princesa, o que facilitava a
confusão dos ouvintes. Malu tornou-se conhecida, graças à semelhança dos diais, e foi convidada para gravar comerciais na emissora da
Caldas Júnior. Malu afirma até hoje que não sabia que a gravação dos comerciais era o teste para o sua contratação como atração da
Guaíba. Quando entrou na emissora de Breno Caldas, Malu trabalhava, também, na Rádio e na TV Difusora. Foram quase 15 anos trabalhando
na Caldas Júnior, onde atuava como apresentadora dos programas "Guaíba Mulher" e "Pergunte à Guaíba", um programa de enquetes e pesquisas.
Malu fazia ainda locução comercial na Rádio. A radialista conta que, nesta década e meia em que trabalhou na Caldas Júnior, entre meados
dos anos 70 e início dos 90, presenciou e fez parte dos altos e baixos da Guaíba.
As dificuldades da Caldas Júnior
Quando ingressou na Rádio, a Guaíba tinha 15 locutores, que segundo Malu, eram exemplos de locução para todo o Brasil. Recebiam altos
salários, além de cachês extras para a gravação de comerciais. Com o acúmulo da dívida da empresa, a Caldas Júnior entrou numa longa
crise que culminou com o fechamento do Correio do Povo, em 1984. Com a extinção do jornal da empresa, a Rádio também sofreu sérios
problemas financeiros. A defasagem salarial foi grande e os funcionários chegaram a fazer greve. Malu relembra das dificuldades da
época, quando muitas parcerias foram desfeitas. A apresentadora revela que, para garantir a renda familiar, vendia sanduíches na região
da Praça da Alfândega, nas proximidades da Rádio, para garantir o seu sustento. Neste período complicado, explica que teve que mandar o
filho para ser criado pela avó, em Santana do Livramento.
A volta para Rádio Guaíba
Pela primeira vez, em 50 anos, o Correspondente Guaíba, da rádio Guaiba de porto alegre, foi apresentado por uma voz feminina. Maria
Luíza Benitez é a primeira apresentadora do programa e passa a ancorar o noticiário em finais de semana. Milton Ferretti Jung segue
como seu apresentador principal, como faz há 44 anos.
Segundo o gerente de jornalismo Ataídes Miranda, “o ouvinte reagiu positivamente”. “Recebemos muitas ligações e e-mails elogiando a
voz feminina na apresentação”.
O noticiário vai ao ar de segunda-feira a sábado às 9h, às 13h, às 18h50 e o último às 20h. Aos domingos, ele é transmitido as 13h e às 20h.
O Correspondente Guaíba é uma síntese informativa da Rádio Guaíba. O noticiário é editado pelo Departamento de Jornalismo da emissora
e dá ênfase ao que ocorre no estado e no país. O programa, em 50 anos, teve apenas quatro apresentadores: Ronald Pinto, Jorge Alberto
Mendes Ribeiro, Ênio Berwanger e Milton Ferretti Jung, este seu locutor titular desde 1964.
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